
Julia Micaelly Ribeiro Carvalho
A estudante Julia Micaelly Ribeiro Carvalho, 20 anos, de Pedreiras, Maranhão, tinha apenas 4 anos de idade quando percebeu que o seu corpo era diferente das meninas da sua idade. “Tinha um suor forte debaixo do braço, começou assim”, lembra, em entrevista exclusiva à CRESCER. Pouco depois, reparou que começaram a crescer pelos nas axilas e na região íntima.
Os pais também repararam as mudanças no corpo da filha, mas, por falta de informação, acabaram não buscando ajuda. “Os sintomas não passavam, na verdade, só pioravam. Comecei a usar desodorante muito cedo por conta disso”, lembra. O que eles não sabiam era que a filha estava entrando na puberdade precocemente.
Mesmo sendo pequena, Julia se lembra do incômodo de não ser igual às colegas. “Eu fazia natação na minha escola, então, eu via o quanto meu corpo era diferente do das outras meninas. Elas tinham um corpinho de criança, sem pelos. Eu sempre pensava: ‘Por que eu tenho e elas não?’ Eu era a única que não me trocava na frente das meninas por ter vergonha dos meus pelos e dos meus seios que já estavam se desenvolvendo. Eu ficava muito envergonhada do meu corpo ser diferente”, recorda.
Quando tinha 7 anos, uma das mães de uma colega conversou com a mãe de Julia, sugerindo que levasse a menina em um endocrinopediatra, médico que cuida dos hormônios das crianças. “A endócrino passou muitos exames, um de idade óssea, um ultrassom para ver a questão dos ovários e folículos… E olha só, eu estava a ponto de menstruar já com apenas 7 anos”, afirma. “A médica também falou que a minha idade óssea era de 12 anos, meu osso já tinha esticado bastante, o que não era bom”, acrescenta.
Corrida contra o tempo
A médica orientou que Julia começasse o tratamento para atrasar a puberdade precoce o mais rápido possível. “A gente foi atrás de conseguir a medicação pelo SUS. Foi uma corrida contra o tempo. Mas deu tudo certo por conta da urgência do meu caso, então foi tudo muito rápido e comecei o tratamento certinho com a medicação, que era por injeção”, diz.
Embora soubesse que era para o seu bem, nenhuma criança gosta de tomar injeção. Receber o medicamento era sofrido para Julia. “Eu fiquei arrasada, porque era injeção e doía muito. Eu tomava um dia e passava dois dias com o bumbum ainda dolorido. Era horrível. Toda vez, eu chorava e falava que não queria”, lamenta.
Julia precisou fazer o tratamento até os 11 anos, quando, finalmente, não precisou mais adiar a puberdade e pôde menstruar. “Foram anos dessa chateação. Meu pai ficava pelejando, era ele que aplicava, porque era enfermeiro. Toda vez, eu chorava e eu falava que não queria”, diz.
Menopausa cirúrgica
Aos 16 anos, Julia enfrentou outro desafio: entrou na menopausa precoce após retirar os ovários devido a um cisto hemorrágico. “Eu não tive sintomas. Geralmente, quando a mulher está com cisto no ovário, ela sente sintomas antes, principalmente esses que são hemorrágicos. A menstruação atrasa, ela sente dor na região pélvica, tem um sinal. Eu não tive nada. O cisto foi muito silencioso, não deu sinal nenhum, minha menstruação vinha todo mês, eu não sentia cólicas fortes… nada”, diz.
Ela nunca suspeitou do cisto até que, um dia, ele rompeu. “Foi muito agressivo. Quando rompeu, o ovário rompeu junto. Minha barriga estava lotada de sangue. Eu tive uma hemorragia interna muito intensa”, recorda. Julia foi levada ao hospital às pressas e passou por uma cirurgia de emergência. Quando o cirurgião a abriu, viu que o ovário direito também estava comprometido e teria que ser retirado. “Quando ele encostou no ovário, ele rompeu. O esquerdo rompeu dentro de mim e o direito na mão do cirurgião”, explica.
Segundo Julia, os médicos não descobriram por que o cisto se formou e como se desenvolveu tão rápido. “Depois que menstruei aos 11 anos, segui fazendo acompanhamentos com ultrassom até os 13 anos, para ver se estava tudo bem com os meus ovários e folículos e nunca teve nada. Foi questão de três anos para esse cisto se desenvolver e me destruir desse jeito”, ressalta.
Ela não foi diagnosticada com nenhuma outra condição que poderia estar associada ao cisto, como endometriose. Fizeram biópsia e também não era câncer. “Não teve um motivo claro por que ele apareceu, cresceu tanto de forma agressiva sem ninguém ver e se rompeu”, diz.
Sonho de ser mãe
Mesmo com os desafios da menopausa precoce, Julia continua com o sonho de ser mãe e engravidar — e já tem tudo planejado. “Minha mãe, que tinha 38 anos na época, recorreu ao tratamento para congelar os óvulos para doá-los para mim futuramente. Foi um ato lindo. Então, tem oito óvulos congelados me esperando. Todo ano a gente paga uma taxa de preservação”, destaca.
Quando se sentir pronta, pretende fazer uma fertilização in vitro (FIV) utilizando os óvulos doados pela mãe para engravidar. “Eu vou fazer a FIV porque eu ainda tenho o útero, então, eu ainda consigo gestar”, diz. Inicialmente, Julia confessa que teve um pouco de dificuldade em aceitar que não poderia utilizar os próprios óvulos. Mas, hoje não vê mais problema. “Vai ser meu filho do mesmo jeito. Eu não tenho mais relutância com esse assunto de forma nenhuma”, finaliza.





Três cidades do Maranhão foram beneficiadas com a entrega de cinco novas ambulâncias para renovar a frota do Samu 192, em uma ação que beneficiou 179 municípios de 15 estados brasileiros.O investimento de R$ 74,5 milhões, proveniente do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), possibilitou a aquisição dos veículos. As cidades de Balsas, Dom Pedro e Grajaú receberam, respectivamente, duas, uma e duas novas ambulâncias.


