
Foto Reprodução
A denúncia de violência doméstica envolvendo um servidor comissionado do Senado Federal ganhou forte repercussão neste fim de semana. Camila Dias, prima da senadora Ana Paula Lobato (PSB), publicou nas redes sociais imagens com marcas de agressões que, segundo ela, teriam sido praticadas pelo próprio companheiro, Paulo Victor Souza.
De acordo com apuração do Blog do Domingos Costa, a agressão ocorreu no sábado (29), no mesmo dia da final da Copa Libertadores, entre Palmeiras e Flamengo. As imagens divulgadas mostram hematomas no braço e também no pescoço da vítima, o que indica violência de maior gravidade. Até o momento, porém, não há confirmação de registro formal de ocorrência na Delegacia da Mulher.
Assessor do Senado e ex-funcionário de Othelino
Paulo Victor Souza ocupou até março de 2024 o cargo de assessor parlamentar no gabinete do deputado estadual Othelino Neto, na Assembleia Legislativa. No início de 2025, passou a integrar o quadro do Senado Federal, onde atualmente está lotado no gabinete da senadora Ana Paula Lobato, no cargo comissionado de assessor parlamentar.
O salário do servidor, segundo os dados funcionais, é de R$ 31.279,53 mensais.
Além da gravidade da acusação de agressão, o caso também levanta questionamentos sobre nepotismo, já que a vítima é prima direta da senadora, e o acusado é seu marido.
Até agora, nem a senadora Ana Paula nem o deputado Othelino Neto se manifestaram publicamente sobre a denúncia.
Contradição política: senadora é autora de projetos contra a violência
O caso gera ainda mais repercussão por envolver diretamente o gabinete de uma parlamentar que é autora de projetos de combate à violência contra a mulher. A senadora Ana Paula Lobato é responsável pelo PL 896/2023, que tipifica a misoginia como crime, e pelo PL 1977/2024, que altera o Código Civil para impedir que agressores se beneficiem financeiramente de suas vítimas após condenação.
As propostas visam justamente romper vínculos econômicos entre agressor e vítima, impedindo acesso a pensão, herança, partilha de bens e seguros.
Enquanto isso, o acusado de agressão segue ocupando cargo comissionado no Senado, com salário elevado, sem qualquer posicionamento institucional até o momento.
