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Os rodoviários da empresa 1001 foram os primeiros a cruzar os braços na manhã desta sexta-feira (14) em São Luís, abrindo mais um capítulo da crise no transporte público da capital. O protesto, motivado por salários atrasados e pelo não pagamento de benefícios básicos — como plano de saúde, tíquete-alimentação e outras vantagens previstas em contrato —, revela um colapso anunciado. Segundo os trabalhadores, os valores deveriam ter sido creditados ainda em 20 de outubro, mas nada foi repassado.
A insatisfação atinge também ex-funcionários. Relatos indicam que as rescisões de desligados não foram quitadas, agravando a vulnerabilidade financeira de famílias inteiras que dependiam dos pagamentos para sobreviver.
A paralisação desta sexta expõe, mais uma vez, o desgaste crescente entre rodoviários e empresários. Como já havia antecipado o Blog do Gilberto Léda, as empresas afirmam operar no limite desde 2019, quando a tarifa deixou de acompanhar os custos. O setor acusa a Prefeitura de impor “tarifas políticas” e aponta que, há dois anos, não há qualquer reajuste autorizado pelo Município — situação que já desencadeou uma série de ações judiciais.
Enquanto a categoria reivindica o mínimo para continuar trabalhando, a cidade revive o fantasma de um sistema à beira do colapso e sem horizonte de solução. Em nota divulgada nesta sexta, o Sindicato dos Rodoviários reforçou que a paralisação da 1001 seguirá por tempo indeterminado:
“Os trabalhadores da empresa 1001 seguem paralisados em São Luís. O movimento continuará até que os empresários ou o sindicato patronal apresentem uma solução para todas as reivindicações dos rodoviários, que estão com salários atrasados, férias e rescisões não pagas.”
A entidade também denuncia que benefícios como tíquete-alimentação e plano de saúde deixaram de ser garantidos, caracterizando o descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho. A 1001 opera quase 20 linhas na Grande São Luís e atende milhares de usuários diariamente — impacto imediato e direto na mobilidade urbana.
O sindicato alerta que outras empresas do sistema também vivem situação semelhante e que novas paralisações podem ocorrer caso as pendências trabalhistas não sejam resolvidas
