TJMA e Google debatem o uso de IA para modernizar e acelerar o Judiciário

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O Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (TJMA) deu mais um passo para agilizar a rotina do Judiciário por meio da tecnologia e Inteligência Artificial. No dia 24 de março, equipes da Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação (DTIC/TJMA) e do Laboratório de Inovação (ToadaLab/TJMA) reuniram-se com representantes da Google e da parceira Xertica/Certisign, com o objetivo de alinhar estudos para a implementação de soluções de Inteligência Artificial (IA) no Judiciário maranhense.

A reunião foi conduzida pelo juiz auxiliar da Presidência e coordenador do ToadaLab, José Jorge Figueiredo dos Anjos Júnior, que destacou a visão de inovação contínua da instituição. O foco principal foi avaliar ecossistemas capazes de otimizar o tempo gasto em tarefas repetitivas, para que as equipes possam focar no que é essencial: a análise humana e a tomada de decisão.

O encontro aprofundou-se em frentes tecnológicas estratégicas:

  • Governança e Estruturação de Dados: Adoção de tecnologias de alta performance para unificar e organizar o acervo processual. Na prática, isso permitirá cruzar milhões de dados estruturados e não estruturados de forma ágil, facilitando a busca por similaridades e precedentes.
  • Flexibilidade e Modelos Abertos: A estratégia em nuvem debatida foca em manter o Tribunal com total liberdade tecnológica. A ideia é garantir acesso a um leque variado de inteligências artificiais disponíveis no mercado, permitindo que a instituição escolha a ferramenta mais adequada para cada necessidade, sem ficar presa a um único fornecedor.
  • Análise Avançada e Transcrição: Implementação de ferramentas que vão além da degravação literal, conseguindo analisar contextos em áudios e vídeos e otimizar o tempo que as equipes dedicam à interpretação de depoimentos e audiências.
  • Assistentes Virtuais Integrados: A utilização de assistentes inteligentes conectados diretamente às ferramentas de trabalho do dia a dia. O objetivo é permitir que magistrados e servidores solicitem resumos processuais ou rascunhos de minutas com fluidez, sempre assegurando que a validação final seja feita por uma autoridade humana.

Integração pioneira e segurança: o avanço com o protocolo MCP

O TJMA se destaca como pioneiro em âmbito nacional, priorizando a usabilidade e a segurança: é o primeiro tribunal do país a desenvolver uma integração do Sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe) totalmente funcional e em cenário local “controlado”, utilizando o recém-lançado protocolo MCP (Model Context Protocol). A inovação foi idealizada e supervisionada pelo juiz auxiliar da Presidência e coordenador do ToadaLab, José Jorge Figueiredo dos Anjos Júnior, e desenvolvida pelo secretário de Planejamento e Inovação, Giuliano Ricci.

Durante o encontro, o desenvolvedor detalhou como essa tecnologia cria uma “ponte” para que Inteligências Artificiais compatíveis acessem os dados do PJe e do Digidoc. Ele também explicou os protocolos de segurança utilizados para vedar o acesso a processos e documentos sigilosos, ressaltando a criação de uma base estruturada e auditável, que sempre exige a supervisão e a aprovação humana.

Além de garantir uma experiência fluida — na qual o servidor interage com a IA diretamente em sua interface de trabalho diária, sem atritos ou necessidade de abrir sistemas paralelos —, a integração desenvolvida pelo ToadaLab conta com um rigoroso mecanismo de bloqueio automático. Essa trava garante que processos em segredo de justiça fiquem absolutamente invisíveis e inacessíveis para a IA, assegurando a proteção de dados sensíveis. Outro ponto forte citado foi a integração direta da ferramenta com os protocolos de login e autenticação já exigidos pelas normas de segurança da informação. A ferramenta encontra-se em homologação para testes finais.

Esta imagem registra a reunião técnica entre o TJMA, Google e parceiros. Aqui está a descrição resumida:

Cenário: Uma sala de reuniões moderna e bem iluminada, com paredes brancas e piso amadeirado.

Participantes: Cerca de dez pessoas estão presentes. No primeiro plano, vemos servidores do TJMA (identificados pelos crachás com a logo do Tribunal) acompanhando a apresentação. Ao fundo, em volta de uma mesa oval com café e água, outros participantes observam atentamente.

Transparência e Adequação às Normas do CNJ

A adoção da IA no TJMA tem a segurança jurídica como pilar inegociável. Durante o encontro, o chefe da Divisão de Serviços de TI, Leandro Cavalcante Mendonça Lima, pontuou a preocupação com a adequação às normas e resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), destacando a necessidade de garantir total transparência nos processos gerados pela IA e reforçou que a ferramenta atuará sempre como um apoio. A validação final, a soberania da decisão e o controle dos dados permanecerão, de forma irrestrita, sob a responsabilidade dos magistrados e servidores.

Infraestrutura, Segurança e Vantagens Práticas 

Para que as inovações saiam do papel e funcionem sem lentidão ou quedas, é preciso uma base sólida. Esse debate foi trazido pelo chefe da Divisão de Sistemas Judiciais Francisco de Araújo Costa e pelo coordenador de Infraestrutura e Telecomunicação, Bruno Jorge Portela Silva Coutinho, que analisaram as vantagens reais de adotar a infraestrutura de nuvem já validada no mercado. Eles pontuaram que, ao utilizar soluções prontas e seguras, o Tribunal economizará meses de desenvolvimento interno. A discussão garantiu que a arquitetura do projeto consiga suportar a leitura inteligente do enorme acervo atual do PJE, mantendo os mais altos padrões de segurança contra ataques cibernéticos e protegendo os dados sensíveis da Justiça maranhense.

Participaram do encontro as representantes da Google, Victoria Oliveira e Renata; e a representante da Xertica (Parceira Google Cloud), Gabriele Oliveira.

A partir da reunião de alinhamento, as equipes técnicas do TJMA e do Google iniciarão testes práticos e levantamento da volumetria exata de dados do Tribunal, etapas essenciais para desenhar o projeto final e garantir a viabilidade técnica e financeira das futuras contratações.

Justiça do MA condena Google em ação contra fraude na compra de veículo

A Google Brasil Internet foi condenada na 12ª vara Cível de São Luís, nesta terça-feira, 10, a pagar R$ 22, 2 mil por danos materiais e R$ 10 mil por danos morais em ação ajuizada por mulher que caiu no golpe do endereço de internet clonado na compra de um veículo.

A autora da ação queria comprar um carro e recorreu à pesquisa na internet. A plataforma do Google indicou o endereço da VIP Leilões. Confiando na credibilidade do resultado da busca exibido, a mulher acessou o endereço, se cadastrou e arrematou um veículo Toyota Corolla, 2014/2015, por R$ 22.207,50.

Depois de receber a Carta de Arrematação, pagou o valor do lance via transferência bancária para o representante financeiro indicado na internet. Contudo, após o pagamento, ao tentar retirar o carro, não teve mais retorno, percebendo que caiu no golpe do endereço de internet clonado, que imita a identidade visual de empresas.

RESPONSABILIDADE DA GOOGLE

A sentença, do juiz Gustavo Silva Medeiros (12ª Vara Cível de São Luís), reconheceu a responsabilidade da plataforma Google e o dever de reparar o prejuízo sofrido pela consumidora e rejeitou a alegação de culpa exclusiva da vítima por não ter cuidado ao comparar o carro.

O juiz fundamentou a decisão em julgamentos do Superior Tribunal de Justiça e no artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor que trata da falha na prestação de serviços por “defeito de segurança”.

“Permitir que estelionatários compem palavras-chave como “leilão” ou o nome de marcas famosas (“VIP Leilões”) e posicionem sites falsos no topo das buscas, sem uma checagem prévia de autenticidade (KYC – Know Your Customer), configura falha na prestação do serviço…”, declarou o juiz.

CONTEÚDO DE TERCEIROS

A Google alegou atuar apenas como provedora de pesquisa e anúncios, não sendo responsável pelo conteúdo de terceiros ou pelas negociações realizadas fora de sua plataforma e culpou a vítima do golpe por não tomar os devidos cuidados.

No entanto, na análise do caso, o juiz sustentou que, ao vender espaço publicitário, a plataforma deixa de ser mera provedora de pesquisa e atua como veículo de publicidade e parceira comercial de anunciantes, tendo lucro direto com cada clique realizado no anúncio fraudulento.

A responsabilidade, no caso em questão, decorre do risco do empreendimento. Ao  oferecer uma ferramenta de publicidade, a Google tem o dever de adotar mecanismos mínimos de segurança para verificar a identidade de seus anunciantes.

“Permitir que estelionatários comprem palavras-chave como “leilão” ou o nome de marcas famosas (“VIP Leilões”) e posicionem sites falsos no topo das buscas, sem uma checagem prévia de autenticidade (KYC – Know Your Customer), configura falha na prestação do serviço”, garantiu o juiz.

Google desativa sistema de alerta para terremoto no Brasil depois de notificação falsa

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O Google anunciou a desativação temporária do Sistema de Alertas de Terremoto do Android no Brasil após a emissão de uma notificação falsa que gerou pânico entre os usuários. A empresa está investigando as causas do incidente e trabalhando para aprimorar a precisão do sistema antes de reativá-lo.

O Sistema de Alertas de Terremoto do Android utiliza os sensores dos smartphones para detectar tremores e enviar alertas antecipados aos usuários em áreas afetadas. No entanto, falhas recentes, como a ocorrida na Turquia em fevereiro de 2023, onde muitos usuários relataram não ter recebido alertas durante um terremoto de magnitude 7,8, levantaram questionamentos sobre a eficácia do sistema. citeturn0search4

No Brasil, o sistema está disponível e envia alertas sobre terremotos de magnitude 4,5 ou superior nas proximidades, utilizando a localização aproximada dos dispositivos Android. Os alertas de terremoto podem ser desativados a qualquer momento nas configurações de “Segurança e emergência” e “Alertas de terremoto” do smartphone. citeturn0search0

A desativação temporária visa garantir a segurança e a confiança dos usuários, enquanto o Google implementa melhorias para evitar futuras notificações incorretas. A empresa não forneceu um prazo específico para a reativação do serviço no país.

Google é condenada a indenizar usuário que teve email roubado

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A Google Brasil foi condenada pelo 4º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo de São Luís a pagar R$ 2 mil por danos morais e restabelecer o email de um usuário. O autor relatou que perdeu o acesso à conta utilizada comercialmente e não obteve solução após tentativas administrativas.

A empresa alegou não ter cometido ato ilícito e afirmou que o usuário não seguiu o procedimento de recuperação da conta. No entanto, o juiz Licar Pereira determinou que a Google tinha acesso às provas necessárias para se eximir de responsabilidade, mas não o fez.

A sentença considerou que o autor provou a invasão da conta e demonstrou que tentou solucionar o problema administrativamente. O magistrado destacou que a empresa deveria ter agido para evitar os danos continuados ao usuário.

Governo pede que Google e Apple incluam biometria no acesso ao e-mail

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O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) enviou ofícios para as empresas Google e Apple na terça-feira (6) e solicitou que elas aumentem a segurança dos usuários que acessam aplicativos de e-mail pelo celular. Uma das indicações é a inclusão de senhas adicionais e biometria (como impressão digital e Face ID). A pasta quer reforçar os processos de cooperação com as big techs.

“Um dos focos prioritários do Ministério é a proteção do cidadão que tem no telefone móvel uma extensão de sua vida particular, financeira e social. Hoje, a primeira ação de um assaltante após o roubo é tentar encaminhar ao e-mail da vítima um link de recuperação das senhas dos aplicativos bancários. Aí há uma lacuna de proteção, já que o e-mail não pede senha adicional ou biometria, como os aplicativos financeiros”, explica Manoel Carlos de Almeida Neto, secretário-executivo do ministério.

A pasta disse que os pedidos integram um conjunto de ações do programa Celular Seguro, ferramenta de combate ao roubo e furto de aparelhos. As parcerias com as bigh techs são vistas como estratégicas nesse sentido. Foi citado o caso do Google, que escolheu o país para lançar novas tecnologias contra roubo ou furto de telefones móveis que usam o sistema operacional Android.

O MJSP diz que a questão das senhas adicionais e da biometria é importante porque é comum que assaltantes exijam da vítima a entrega do aparelho desbloqueado. Desta forma, acessam o telefone em busca de anotações, além de tentar recuperar senhas bancárias por aplicativos de e-mail, principalmente Gmail (Google) e Mail (Apple),  que não têm uma camada de proteção exclusiva no aplicativo, como senha adicional e biometria.

Os criminosos, então, abrem os aplicativos financeiros, clicam em “Esqueci a Senha”, e, ao solicitarem o novo código, este é encaminhado para o e-mail da vítima. A partir daí, conseguem movimentar a conta do banco, fazer compras em plataformas de vendas online e transações em companhias aéreas, com pontos em programas de milhagem.

Celular Seguro

O programa Celular Seguro entrou em uma nova fase em 1º de agosto, quando foi lançado um grupo de trabalho para produzir um protocolo nacional de recuperação de celulares furtados ou roubados. Um documento deve ser apresentado em 90 dias, para orientar a atuação de 11 estados que estão participando da iniciativa piloto. Após o teste, a medida será implantada em todas as unidades da Federação.

Quem já utiliza o Celular Seguro terá mais opções. Poderá fazer o bloqueio total (aplicativos, aparelho/IMEI e chip) ou escolher entre bloquear apenas os aplicativos e o chip, acionando o Modo Recuperação, que vai permitir recuperar o aparelho. No Modo Recuperação, o Celular Seguro será informado pelas operadoras de telefonia quando um novo chip for instalado no aparelho roubado ou furtado. A partir daí, polícias estaduais poderão tomar providências.

O cidadão também vai poder verificar se existe alguma restrição para o aparelho que deseja adquirir ao consultar a Base Nacional de Boletins de Ocorrência do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública).

Procurada pela reportagem, a Apple disse que não vai comentar o ofício no momento. O Google ainda não respondeu ao pedido de posicionamento.